​Interior da Bahia realiza primeiro transplante duplo de fígado e rim pelo SUS

  • 10/06/2026

​Interior da Bahia realiza primeiro transplante duplo de fígado e rim pelo SUS

Pela primeira vez, um transplante duplo de fígado e rim foi realizado no interior da Bahia através do Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento aconteceu em Vitória da Conquista e representa um avanço importante no processo de interiorização da alta complexidade médica no estado.

A cirurgia foi conduzida pelo Serviço de Transplante Papa São João Paulo II, do Hospital São Vicente de Paulo, e beneficiou um paciente de 55 anos que apresentava falência terminal irreversível dos dois órgãos. Ele recebeu alta hospitalar nesta segunda-feira (8).

A doação e a captação dos órgãos aconteceram no Hospital Prado Valadares, em Jequié. Após avaliação médica, fígado e rins foram considerados viáveis para transplante.

Para realizar a operação, a equipe médica contou com apoio aéreo da Casa Militar, que transportou três cirurgiões e uma enfermeira até Jequié para a captação dos órgãos.

Segundo informações médicas, o paciente sofria de cirrose hepática gravemente descompensada associada à falência renal terminal, necessitando de internações frequentes e sessões de hemodiálise três vezes por semana.

O transplante de fígado durou cerca de quatro horas. Já o transplante renal foi concluído em aproximadamente duas horas e meia. Participaram do procedimento cinco cirurgiões, um anestesista, dois instrumentadores cirúrgicos e dois enfermeiros.

De acordo com Luiz Fernando Veloso, chefe do Serviço de Transplante Papa São João Paulo II, o procedimento marca um momento histórico para a saúde no interior do estado.

“Uma pessoa teve sua vida recomeçada de um modo extraordinário. Há pouco tempo seria impensável realizar um procedimento dessa complexidade fora da capital. Isso mostra o avanço da medicina e da estrutura de saúde no interior da Bahia”, afirmou.

O coordenador estadual do Sistema de Transplantes da Bahia, Eraldo Moura, destacou que o procedimento reforça o projeto de descentralização dos transplantes no estado.

“Existe um esforço para que os pacientes possam realizar transplantes mais próximos de suas cidades e famílias. Isso é extremamente importante em um estado com a dimensão territorial da Bahia”, explicou.

Atualmente, mais de 2 mil pessoas aguardam transplante renal na Bahia, enquanto dezenas esperam por transplante hepático.

O caso também reacende a importância da doação de órgãos. Segundo dados do Sistema Estadual de Transplantes, a taxa de negativa familiar para doação ainda é alta na Bahia, chegando a 68%, acima da média nacional.

Especialistas reforçam que conversar sobre o desejo de doar órgãos com a família continua sendo fundamental para ampliar o número de transplantes e salvar vidas.

Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação / Hospital São Vicente de Paulo


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