Governo da Bahia cria comissão para enfrentar queda de preços do cacau e fortalecer cadeia produtiva
- 05/02/2026
O Governo da Bahia anunciou nesta quarta-feira (4) a formação de uma comissão especial de trabalho para enfrentar a recente queda nos preços do cacau, um dos produtos agrícolas mais tradicionais e economicamente relevantes do estado. A medida foi discutida em reunião no Centro Administrativo da Bahia com a presença de representantes do setor produtivo, secretarias estaduais e entidades ligadas à agricultura familiar. A iniciativa visa elaborar um conjunto de ações estratégicas de curto, médio e longo prazo que possa proteger a renda dos produtores e fortalecer toda a cadeia produtiva do cacau baiano.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, destacou que a crise nos preços internacionais e internos tem impactado diretamente os agricultores, em especial os pequenos e médios produtores familiares, que dependem da cultura para gerar renda e sustentar suas famílias. “Estamos reunindo os atores públicos e privados para encontrar soluções que garantam maior estabilidade ao setor, promovam valorização do produto e fortaleçam as cadeias de beneficiamento e comercialização do cacau”, afirmou o governador.
A comissão terá a participação de representantes da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e de entidades como cooperativas de produtores e associações rurais. O objetivo central é elaborar um plano de ações que contemple incentivos à produção, políticas de trade marketing, ampliação da exportação, apoio técnico e sanitário, além da busca por parcerias institucionais com o objetivo de valorizar a produção baiana em mercados mais amplos e competitivos.
O cacau tem papel histórico na economia do sul da Bahia, especialmente em regiões como Ilhéus, Itabuna e cidades do território Litoral Sul, onde famílias inteiras dependem direta ou indiretamente da cultura. Há décadas, o estado figura entre os principais produtores nacionais, abastecendo tanto o mercado interno quanto a indústria de chocolates gourmet e cafés especiais. Contudo, nos últimos meses, produtores relataram variações significativas nos preços pagos pelo produto na venda à indústria, pressionando a sustentabilidade financeira das fazendas menores.
Para o presidente de uma das cooperativas de cacau da região, a iniciativa do governo é recebida com otimismo. “A queda de preços tem sido um problema recorrente, e o apoio institucional para encontrar saídas estruturadas é essencial. Precisamos de políticas claras que nos ajudem a agregar valor ao nosso produto e a acessar mercados que paguem melhor pelo cacau de qualidade que produzimos”, afirmou.
A expectativa do governo é que, nos próximos meses, a comissão apresente um conjunto de propostas que possam ser implementadas ainda em 2026, incluindo programas de capacitação técnica, certificações de origem e incentivos à exportação — todos orientados a fortalecer o posicionamento competitivo do cacau baiano no Brasil e no exterior.
Foto: Ilustrativa




