​Estudo apresentado nos Estados Unidos emociona oncologistas e reacende esperança no combate ao câncer de pâncreas

  • 03/06/2026

​Estudo apresentado nos Estados Unidos emociona oncologistas e reacende esperança no combate ao câncer de pâncreas

Congressos médicos costumam ser ambientes técnicos, frios e extremamente racionais. São auditórios acostumados a ouvir estatísticas duras, limitações terapêuticas e resultados que muitas vezes avançam apenas alguns pontos percentuais depois de anos de pesquisa. Por isso, o que aconteceu no último domingo, durante a principal plenária da ASCO 2026, em Chicago, chamou atenção da comunidade médica internacional.

Em meio à apresentação de um novo estudo sobre câncer de pâncreas, médicos interromperam a sessão com aplausos de pé. Alguns se emocionaram. Outros choraram discretamente no auditório. O motivo foi a divulgação dos resultados considerados históricos do medicamento experimental daraxonrasib, um comprimido desenvolvido para pacientes com câncer pancreático avançado.

O câncer de pâncreas é um dos mais agressivos da oncologia moderna. Na maioria dos casos, o diagnóstico acontece tardiamente, quando a doença já se espalhou pelo organismo. As taxas de sobrevida costumam ser baixas e os tratamentos disponíveis, até hoje, oferecem respostas limitadas e efeitos colaterais extremamente agressivos.

Foi justamente nesse cenário que os números apresentados em Chicago surpreenderam.

Entre os pacientes com a mutação RAS G12 — alteração genética mais frequente nesse tipo de tumor — a sobrevida mediana chegou a 13,2 meses com o uso do novo medicamento. No grupo tratado apenas com quimioterapia, a média ficou em 6,6 meses.

Na prática, os resultados mostraram que o novo tratamento praticamente dobrou o tempo médio de vida desses pacientes.

O risco de morte caiu 60%.

O tempo sem progressão da doença também aumentou significativamente: 7,3 meses contra 3,5 meses nos tratamentos tradicionais. Além disso, mais de 31% dos pacientes apresentaram redução mensurável dos tumores, número considerado extremamente relevante para um câncer historicamente resistente à maioria das terapias disponíveis.

Outro dado chamou atenção dos pesquisadores: a baixa taxa de interrupção do tratamento por efeitos colaterais. Apenas 1,2% dos pacientes precisaram suspender o uso do medicamento. Entre aqueles submetidos à quimioterapia, esse índice ultrapassou 11%.

Para médicos que acompanham há décadas a dificuldade de avanço no tratamento do câncer pancreático, os resultados representaram mais do que um novo protocolo clínico. Representaram a possibilidade concreta de mudança de cenário para uma doença que, até hoje, ainda carrega uma das estatísticas mais difíceis da medicina.

Especialistas presentes no congresso classificaram o estudo como um dos mais impactantes dos últimos anos dentro da oncologia molecular.

O medicamento atua diretamente sobre mutações do gene KRAS, alvo que durante muito tempo foi considerado praticamente impossível de ser tratado pela medicina. Hoje, graças ao avanço da chamada terapia-alvo e da medicina de precisão, pesquisadores começam a abrir caminhos que há poucos anos pareciam inalcançáveis.

Embora o daraxonrasib ainda esteja em fase experimental e precise avançar em etapas regulatórias antes de chegar amplamente aos pacientes, o estudo já passou a ser visto como um divisor de águas no tratamento do câncer de pâncreas.

Em um ambiente acostumado a lidar diariamente com limitações, perdas e números difíceis, o que aconteceu em Chicago foi raro: a ciência conseguiu devolver esperança visível a médicos que há anos aguardavam um avanço realmente significativo nessa área.

Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Reprodução / IA


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