Vacina contra o vírus sincicial respiratório no SUS amplia proteção de bebês nos primeiros meses de vida
- 04/02/2026
O final de 2025 marcou um novo passo na saúde pública brasileira com a incorporação, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), da vacina materna contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Aplicada em dose única a partir da 28ª semana de gestação, a estratégia busca estimular a produção de anticorpos na mãe para proteger o recém-nascido nos meses iniciais de vida, período de maior risco para complicações respiratórias.
A iniciativa integra uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) aprovada pelo Ministério da Saúde e desenvolvida pelo Instituto Butantan em cooperação com a Pfizer no Brasil. Para o professor João Gregório Neto, do curso de Enfermagem da Faculdade Santa Marcelina, a chegada da vacina ao SUS representa “um marco tecnológico e um avanço decisivo para reduzir hospitalizações e quadros graves em bebês, especialmente os menores de seis meses”.
O VSR é reconhecido como a principal causa de infecções respiratórias inferiores em crianças pequenas, respondendo por grande parte dos casos de bronquiolite e pneumonia nos períodos de maior circulação viral. No país, dados oficiais indicam que, até agosto de 2025, mais de 31 mil hospitalizações por VSR foram registradas em crianças menores de dois anos, com a maioria concentrada em bebês com menos de seis meses. No mesmo intervalo, ocorreram 236 mortes associadas à infecção.
No cenário mundial, o impacto também é elevado: estimativas apontam mais de 100 mil óbitos por ano e milhões de internações relacionadas ao vírus, sobretudo entre lactentes e crianças com condições de risco, como prematuridade, cardiopatias e doenças pulmonares crônicas.
Segundo João Gregório Neto, a transmissão acontece principalmente por contato direto com secreções respiratórias ou superfícies contaminadas. Os sintomas variam de quadros leves, como tosse e coriza, até formas graves que exigem internação e suporte respiratório. “Ainda não existe tratamento antiviral específico para o VSR. O cuidado é basicamente de suporte, o que reforça a importância da prevenção”, explica.
Com a vacinação das gestantes, o Ministério da Saúde pretende alcançar pelo menos 80% de cobertura desse público, fortalecendo o pré-natal e reduzindo a pressão sobre hospitais e unidades de terapia intensiva durante os períodos de maior circulação do vírus.
“A imunização materna funciona como um escudo para o bebê justamente quando ele ainda não pode receber a vacina diretamente”, resume o professor. Para ele, a incorporação ao SUS reúne ciência, inovação e equidade, ampliando a capacidade do país de enfrentar um dos principais desafios respiratórios da infância.
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