Saúde mental deixa de ser apenas questão individual e passa a impactar diretamente economia e mercado de trabalho
- 25/05/2026
Durante muito tempo, saúde mental foi tratada apenas como questão pessoal. Algo que cada indivíduo precisava resolver sozinho, em silêncio, tentando equilibrar pressão, produtividade, vida financeira e rotina profissional. O problema é que os números começaram a mostrar que a questão deixou de ser apenas emocional. Hoje ela já impacta produtividade, economia, relações de trabalho e permanência das pessoas no mercado profissional.
Um estudo global produzido pela Zurich Insurance Group aponta que os impactos dos transtornos mentais podem representar perdas equivalentes a até 5% do PIB em alguns países nos próximos anos. O levantamento analisou dados de mercados como Austrália, Alemanha, Chile, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Malásia, mostrando que cerca de um em cada três adultos em idade ativa poderá conviver com algum problema de saúde mental até 2030.
E talvez o dado mais importante do relatório seja justamente este: os maiores impactos não estão apenas nos sistemas de saúde. Eles aparecem dentro das empresas, na queda de produtividade, nos afastamentos prolongados e na dificuldade de reinserção profissional.
Segundo o estudo, pessoas com transtornos mentais chegam a perder entre 60 e 67 dias de vida saudável por ano.
A CEO Life, Health and Bank Distribution da Zurich Insurance Group, Alison Martin, afirma que o tema já precisa ser tratado de forma estrutural pelas empresas.
“À medida que os desafios relacionados à saúde mental impactam cada vez mais as economias em nível estrutural, é indispensável que as empresas atuem na criação de sistemas de proteção resilientes”, destaca.
No Brasil, a discussão ganha ainda mais força diante do crescimento dos afastamentos ligados a transtornos mentais. Dados da Previdência Social apontam que o país registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais em 2025, o maior volume dos últimos dez anos.
Além disso, a nova redação da NR-1, prevista para entrar em vigor em maio de 2026, passa a exigir que empresas incluam riscos psicossociais nos Programas de Gerenciamento de Riscos.
Para Ana Puga, especialista em saúde corporativa e cultura organizacional, muitas empresas ainda não estão preparadas para lidar com essa nova realidade.
“Durante muitos anos, saúde mental foi tratada como uma questão individual, quando na verdade ela também está diretamente relacionada à forma como o trabalho é organizado, às relações dentro das empresas e aos mecanismos de suporte disponíveis”, afirma.
O estudo também aponta que mudanças no mercado de trabalho, avanço da automação e crescimento da inteligência artificial vêm aumentando a pressão emocional e a necessidade constante de adaptação profissional.
E talvez seja exatamente aí que esteja um dos maiores desafios atuais.
As pessoas estão cada vez mais cansadas emocionalmente, mas continuam tentando funcionar como se nada estivesse acontecendo.
Hoje, falar sobre saúde mental já não é apenas discutir bem-estar. É discutir produtividade, relações humanas, ambiente corporativo, sustentabilidade emocional e permanência das pessoas no mercado de trabalho.
E muitas empresas começam finalmente a entender que ambientes emocionalmente adoecidos também geram prejuízo financeiro.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação
Fonte: Assessoria de Imprensa



