​Quando o vandalismo apaga a memória de uma cidade

  • 22/05/2026

​Quando o vandalismo apaga a memória de uma cidade

Salvador convive diariamente com um patrimônio histórico, artístico e cultural que ajuda a contar não apenas a história da Bahia, mas também a identidade do Brasil. Monumentos espalhados pela cidade carregam memória, afeto, religiosidade, arte e pertencimento. O problema é que muitos deles seguem sendo destruídos pelo vandalismo.

Nos últimos meses, a Prefeitura de Salvador precisou ampliar ações de manutenção, recuperação e restauro de monumentos públicos após sucessivos episódios de depredação em diferentes pontos da cidade.

Um dos casos que mais chamou atenção aconteceu em Itapuã, no monumento em homenagem a Vinicius de Moraes. Pouco tempo depois de passar por restauração, a escultura voltou a ser alvo de vandalismo. Partes da obra foram serradas em uma tentativa de furto, além de novos danos provocados na estrutura.

Outro símbolo atingido foi a estátua de Mahatma Gandhi, localizada na Praça da Inglaterra, no Comércio. A obra sofreu furtos sucessivos de peças importantes da escultura, incluindo os óculos, parte do cajado e detalhes da vestimenta.

E talvez o mais preocupante seja justamente isso: o vandalismo deixa de atingir apenas concreto, bronze ou estrutura física. Ele atinge memória coletiva.

Salvador é uma cidade construída por símbolos. Monumentos espalhados pelos bairros representam religiões, movimentos culturais, artistas, líderes históricos, intelectuais, personalidades populares e marcos da identidade baiana.

Quando uma obra é destruída, existe também um apagamento simbólico acontecendo.

Ao longo de 2025 e deste ano, diversas peças passaram por restauração, entre elas monumentos ligados à cultura popular, à religiosidade afro-brasileira e à memória histórica da cidade.

Mas o problema vai além da recuperação física.

Existe um custo financeiro alto, claro. Recursos públicos que poderiam estar sendo investidos em outras áreas acabam direcionados novamente para reparar destruição, furtos e depredações.

Só que existe também uma discussão mais profunda sobre pertencimento urbano.

Uma cidade que não preserva sua memória começa, aos poucos, a perder parte da própria identidade.

E talvez Salvador viva hoje exatamente esse desafio: crescer, se modernizar e continuar protegendo aquilo que faz dela uma das cidades culturalmente mais importantes do país.

Preservar patrimônio não é apenas conservar estátuas.

É proteger histórias.

A Guarda Civil Municipal informou que intensificou as rondas preventivas e disponibilizou um canal de denúncias via WhatsApp para combater ações de vandalismo e furtos ao patrimônio público. As denúncias podem ser feitas pelo número: (71) 99623-4955.

Texto: Redação Coisas da Dina
Fotos: Divulgação / FGM
Reportagem base: Priscila Machado / Secom PMS


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