Artigo falado: ​O tempo que corre fora e o tempo que corre dentro

  • 11/05/2026

Artigo falado: ​O tempo que corre fora e o tempo que corre dentro

Se nós pararmos para pensar de verdade, não de forma automática, mas com atenção, o mundo está acontecendo em uma escala que não conseguimos acompanhar. Somos bilhões de pessoas vivendo ao mesmo tempo, tomando decisões, sentindo, mudando trajetórias. A cada milésimo de segundo, alguma coisa muito boa acontece. Uma criança nasce, alguém recebe uma notícia esperada há anos, uma oportunidade surge, um encontro muda um caminho.

Isso não para.

Ao mesmo tempo, existem também acontecimentos difíceis, perdas, dores, situações que ninguém deseja viver ou ver quem ama atravessar. Mas esses dois fluxos acontecem simultaneamente. O mundo não se organiza apenas pelo que é bom ou ruim para nós. Ele continua produzindo tudo ao mesmo tempo.

E ainda assim, mesmo com tudo em movimento, existe algo que muda completamente a experiência de cada dia: a forma como cada pessoa enxerga o que vive.

O tempo é o mesmo para todos, mas a leitura desse tempo não é.

Há dias em que o mundo segue exatamente como sempre, mas a pessoa sente que tudo está pesado, lento, travado. Em outros momentos, com as mesmas horas disponíveis, tudo flui, acontece, se organiza. Não é o tempo externo que mudou. É o tempo interno.

Existe um tempo que não depende de ninguém. Ele não espera, não desacelera, não se adapta. Ele simplesmente passa. Mas existe outro tempo, que é o nosso. Esse se altera conforme o estado interno.

Quando a mente começa a se deslocar para o futuro de forma constante, tentando antecipar o que ainda não aconteceu, surge um dos maiores conflitos do nosso tempo. A ansiedade.

A ansiedade tenta viver antes do tempo. Ela puxa o futuro para dentro do presente e cria uma pressão que o corpo não sustenta.

E o corpo responde.

O sono muda, o coração acelera, a respiração se altera. Não porque algo esteja acontecendo naquele instante, mas porque a mente está em um lugar onde o corpo ainda não chegou.

Isso gera desgaste.

Gera cansaço.

Gera uma sensação de estar sempre atrasado em relação a algo que nem aconteceu.

Enquanto isso, o tempo real continua seguindo. Coisas boas continuam acontecendo o tempo inteiro, mas muitas vezes não são percebidas, porque a pessoa não está onde o tempo está.

Está à frente.

Ou está atrás.

Mas não está no agora.

Talvez a questão não seja entender o tempo.

Talvez seja entender como cada um está se posicionando dentro dele.

Porque o tempo não para.

Mas a forma de viver dentro dele muda tudo.

Para ouvir este artigo e os programas da Web Rádio, acesse a seção podcast no site.

Locução: Dina Rachid


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