​Formação médica no Brasil entra em alerta após estudo apontar falhas estruturais

  • 30/04/2026

​Formação médica no Brasil entra em alerta após estudo apontar falhas estruturais

A qualidade da formação médica no Brasil voltou ao centro do debate com a divulgação de um novo informe técnico do estudo Demografia Médica no Brasil – Radar de março de 2026. A análise se baseia nos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada em 2025, e revela um cenário que acende um sinal de atenção para o ensino superior na área da saúde.

O levantamento avaliou o desempenho de mais de 39 mil recém-formados, distribuídos em 350 cursos de medicina em todo o país. Os dados mostram que cerca de 30% das instituições apresentaram desempenho considerado insuficiente, evidenciando fragilidades que vão além do conteúdo acadêmico.

Entre os principais fatores associados aos piores resultados estão a expansão recente dos cursos, menor concorrência nos processos seletivos, elevada proporção de alunos por professor e a localização em regiões com infraestrutura mais limitada. Esses elementos, combinados, indicam que o crescimento do número de vagas não foi acompanhado, em muitos casos, por condições adequadas de ensino.

Nos últimos dez anos, o Brasil praticamente dobrou o número de cursos de medicina, passando de pouco mais de 250 para quase 500. Esse avanço ampliou o acesso à formação médica, mas também trouxe desafios importantes em relação à qualidade.

A diferença entre instituições públicas e privadas chama atenção. Enquanto uma parcela muito pequena dos cursos públicos apresentou desempenho insuficiente, entre as instituições privadas esse percentual é significativamente maior, o que reforça a necessidade de padronização de critérios de qualidade em todo o sistema.

Outro ponto relevante identificado pelo estudo é a relação entre concorrência e desempenho. Cursos com menor disputa por vaga tendem a apresentar resultados mais baixos. Além disso, a proporção de alunos por docente impacta diretamente a formação: instituições com maior número de estudantes por professor apresentam desempenho inferior.

O tempo de existência dos cursos também aparece como um fator determinante. Instituições mais recentes têm maior probabilidade de apresentar resultados insatisfatórios, enquanto cursos mais consolidados tendem a alcançar melhor desempenho, refletindo maturidade acadêmica e estrutura mais desenvolvida.

A análise também evidencia desigualdades regionais. Regiões como Norte e Centro-Oeste apresentam índices mais elevados de cursos com desempenho insuficiente, enquanto o Sul registra melhores resultados. Esse cenário reforça a necessidade de atenção especial à interiorização do ensino, que, embora importante para ampliar o acesso, precisa ser acompanhada de investimentos em infraestrutura e qualificação.

O estudo destaca ainda que a avaliação da formação médica não pode se limitar ao desempenho em exames. É necessário considerar aspectos como estrutura das instituições, qualificação do corpo docente, qualidade do currículo e compromisso com a formação prática.

A discussão ganha relevância em um momento em que o país debate mecanismos mais rigorosos de avaliação, incluindo a possibilidade de um exame de proficiência para médicos recém-formados.

O que os dados mostram é que o desafio não está apenas em formar mais médicos, mas em garantir que essa formação aconteça com qualidade suficiente para atender às demandas da população.

Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Internet 


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