Livro propõe olhar além da mente e revisita o conceito de identidade humana
- 29/04/2026
A ideia de “quem somos” pode parecer simples, mas está longe de ser. É justamente esse ponto que a psicóloga e psicanalista Beatriz Breves decide tensionar em sua nova obra Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo, um trabalho que cruza diferentes áreas do conhecimento para propor uma leitura menos fragmentada da identidade humana.
Com formação também em Física, a autora parte de um princípio pouco convencional: a identidade não pode ser entendida apenas como algo fixo, linear ou limitado ao campo psicológico. Em vez disso, ela propõe uma visão mais ampla, em que corpo, mente e ambiente estão interligados em padrões que se reorganizam constantemente.
É aí que surge o conceito de “Eu Fractal”. Inspirado na ideia de estruturas que se repetem em diferentes escalas, o termo sugere que a identidade humana se constrói em camadas, influenciada por experiências, memórias e relações que não seguem uma linha reta, mas um movimento dinâmico.
Ao longo do livro, Beatriz integra referências da psicanálise, da biologia, da física e da chamada ciência da complexidade para sustentar essa proposta. O resultado é um texto que busca sair do modelo tradicional de explicação da mente, abrindo espaço para uma leitura mais sensível e, ao mesmo tempo, mais abrangente do comportamento humano.
Um dos pontos centrais da obra é a chamada “Consciência Alfa”, apresentada como um estado em que diferentes tempos da experiência — passado, presente e futuro — se encontram no que a autora chama de “instante do agora”. A ideia é que o sujeito não é apenas resultado do que viveu, mas de como reorganiza essas vivências ao longo do tempo.
Mais do que um conceito teórico, o livro também propõe aplicação prática. A autora apresenta a chamada Psicomplexidade, abordagem que busca identificar padrões de repetição na vida do indivíduo e ampliar a capacidade de percepção sobre si mesmo. A proposta é menos sobre diagnóstico e mais sobre consciência.
Outro ponto que chama atenção é o diálogo com a inteligência artificial, que participa da obra como interlocutora e, inclusive, assina o prefácio. O recurso reforça a proposta de cruzamento entre diferentes formas de conhecimento, aproximando ciência, tecnologia e subjetividade.
Sem se prender a uma única linha de pensamento, Eu Fractal – conheça-te a ti mesmo se posiciona como um convite à reflexão. Não entrega respostas prontas, mas provoca deslocamentos — e talvez esse seja o seu maior valor.
Ficha técnica
Título: Eu fractal – conheça-te a ti mesmo
Autoria: Beatriz Breves
Editora: Mauad X
Páginas: 136
Preço: R$ 60,00
Onde encontrar: Amazon
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação



