Cannabis medicinal avança como alternativa no tratamento da insônia, mas exige acompanhamento médico
- 24/04/2026
A dificuldade para dormir deixou de ser uma queixa isolada e passou a ser tratada como um problema de saúde mais amplo. A insônia afeta entre 30% e 50% dos brasileiros adultos, segundo a Associação Brasileira do Sono, e já aparece associada a quadros de ansiedade, estresse e dor crônica, impactando diretamente a rotina e a qualidade de vida.
Nesse cenário, cresce o interesse por alternativas ao tratamento tradicional, entre elas o uso da cannabis medicinal. A proposta não é substituir completamente outras abordagens, mas atuar como parte de um cuidado mais integrado, especialmente em casos em que o distúrbio do sono está ligado a outras condições.
Estudos recentes começam a apontar resultados positivos. Um ensaio clínico publicado no Journal of Sleep Research mostrou que cerca de 80% dos participantes relataram melhora na qualidade do sono após o uso de formulações à base de cannabis, enquanto 60% deixaram de apresentar critérios clínicos para insônia.
Pesquisas também indicam que compostos como CBD, THC e CBN podem influenciar fatores importantes do ciclo do sono, como o tempo para adormecer, a manutenção do descanso e a sensação ao acordar. Ainda assim, especialistas destacam que os dados são recentes e precisam ser interpretados com cautela.
Na prática clínica, o efeito da cannabis costuma ser indireto. “O paciente dorme melhor porque reduz ansiedade, dor ou estado de alerta elevado. O canabidiol atua como modulador do sistema nervoso, não como um sedativo direto”, explica o médico Adam Alborta, especializado em cannabis medicinal.
Ele destaca que a resposta ao tratamento varia conforme a formulação. Produtos com CBD isolado tendem a ter efeito mais leve, enquanto combinações com outros canabinoides, especialmente o THC, podem apresentar impacto mais perceptível na indução do sono.
A indicação, no entanto, não é universal. O uso costuma ser mais adequado quando a insônia está associada a fatores como ansiedade ou dor crônica. Também não substitui a investigação das causas do problema nem apresenta efeito imediato semelhante a medicamentos tradicionais para dormir.
Há ainda grupos que exigem maior cuidado, como gestantes, idosos e pessoas com histórico de transtornos psiquiátricos ou dependência.
Mesmo com essas limitações, a procura tem aumentado. Segundo o médico, a insônia já está entre as principais queixas nos consultórios, especialmente entre adultos com rotina intensa e múltiplos fatores associados.
Esse movimento também se reflete no mercado. Michele Farran, sócia da Cannabis Company, afirma que cerca de 70% dos clientes da farmácia relatam dificuldades relacionadas ao sono. “Na maioria dos casos, a insônia vem acompanhada de ansiedade ou estresse, o que reforça a busca por soluções mais completas”, afirma.
O consenso entre especialistas é que a cannabis medicinal pode ser uma ferramenta útil, desde que inserida em um plano de tratamento mais amplo, com acompanhamento profissional e avaliação individual de cada caso.
Texto: Redação Coisas da Dina
Fonte: Associação Brasileira do Sono / Journal of Sleep Research / especialistas
Foto: Divulgação



