Câncer de testículo atinge principalmente homens jovens e concentra mais de 60% das mortes entre 20 e 39 anos
- 24/04/2026
O câncer de testículo, embora não seja um dos mais incidentes em números absolutos, tem um impacto relevante entre homens jovens no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base no Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, mostram que, em 2024, o país registrou 527 mortes pela doença, sendo 61,67% entre homens de 20 a 39 anos. Quando considerada a faixa até os 49 anos, esse percentual sobe para 76,66%.
Os números reforçam um padrão já conhecido: trata-se do tumor sólido mais comum entre homens jovens, especialmente a partir dos 20 anos. A maior concentração de óbitos está entre 20 e 29 anos, com 190 registros, seguida da faixa de 30 a 39 anos, com 135 mortes. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, foram contabilizados 21 casos. Já acima dos 50 anos, o total chega a 100 óbitos, representando cerca de 19% do total.
Regionalmente, o Sudeste concentra o maior número absoluto de mortes, com 193 registros, seguido pela região Sul, com 154. O estado de São Paulo, isoladamente, responde por 119 mortes, o que acompanha sua densidade populacional.
As estimativas do Instituto Nacional de Câncer indicam entre 1.700 e 2.000 novos casos por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028. Em nível internacional, a American Cancer Society aponta que cerca de um em cada 250 homens desenvolverá a doença ao longo da vida, com aumento da incidência em alguns tipos de tumor.
Apesar dos dados de mortalidade, o câncer de testículo apresenta altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente. Segundo o presidente da SBCO, Paulo Henrique Fernandes, a resposta ao tratamento costuma ser positiva, especialmente quando a doença é identificada em estágio inicial.
Entre os principais fatores de risco estão histórico familiar, criptorquidia (quando o testículo não desce corretamente) e alterações no desenvolvimento testicular. Ainda assim, muitos casos surgem sem fatores predisponentes claros, o que torna a atenção aos sinais iniciais ainda mais importante.
Os sintomas mais comuns incluem a presença de nódulos endurecidos, aumento de volume dos testículos, sensação de peso na região, dor abdominal baixa, desconforto na virilha e, em alguns casos, alterações hormonais como sensibilidade mamária. A identificação precoce desses sinais pode acelerar o diagnóstico e melhorar o prognóstico.
O tratamento varia de acordo com o tipo e estágio do tumor, mas geralmente começa com a orquiectomia, cirurgia para retirada do testículo afetado. Em alguns casos, pode haver necessidade de quimioterapia ou radioterapia, principalmente em estágios mais avançados ou conforme o risco de recorrência.
Os dados reforçam a importância da informação e do acompanhamento médico, especialmente entre homens jovens, faixa em que a doença se concentra e onde o diagnóstico precoce pode fazer diferença significativa no resultado do tratamento.
Texto: Redação Coisas da Dina
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) / Ministério da Saúde / INCA
Foto: Divulgação



