Campo Santo preserva memória e acompanha tendência global de turismo histórico em cemitérios

  • 09/04/2026

Campo Santo preserva memória e acompanha tendência global de turismo histórico em cemitérios

Visitar cemitérios deixou de ser apenas um ato de despedida para se tornar, em várias partes do mundo, uma experiência de memória, cultura e até turismo. Em cidades como Paris, Buenos Aires e Nova York, espaços como o Père-Lachaise, a Recoleta e o Green-Wood recebem visitantes interessados em história, arte e nas trajetórias que marcaram cada lugar.

Em Salvador, o Cemitério Campo Santo se insere nesse movimento de forma natural.

Fundado há quase dois séculos e localizado no bairro da Federação, o espaço se consolidou como um dos principais guardiões da memória da Bahia. Entre alamedas, esculturas e construções históricas, o local funciona como um verdadeiro museu a céu aberto, onde arte, arquitetura e identidade se encontram.

Às vésperas de completar 200 anos, o Campo Santo mantém viva a trajetória de personalidades que ajudaram a moldar o estado e o país. Entre os nomes que atravessam gerações está o poeta Castro Alves, um dos maiores símbolos da literatura brasileira. Também estão sepultados no local o engenheiro Antônio de Lacerda, responsável pelo projeto do Elevador Lacerda, o médico Aristides Maltez e o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, além de famílias tradicionais da política e da cultura baiana.

Esse conjunto transforma o espaço em mais do que um cemitério.

“O Campo Santo é um patrimônio afetivo e histórico da Bahia. Ele carrega narrativas que ajudam a contar quem somos como sociedade”, afirma Eduardo Fernandes, gestor de Projetos do Campo Santo Familiar.

A força simbólica do local tem refletido diretamente na forma como ele é percebido pelas novas gerações. Assim como ocorre em outros países, cresce o interesse por espaços que conectam memória, arte e identidade, ampliando a relação das pessoas com esses ambientes.

Além do valor histórico, o Campo Santo abriga um dos mais relevantes acervos de arte tumular da América Latina. Esculturas em mármore de Carrara, obras em bronze e ferro fundido e monumentos assinados por artistas renomados compõem o cenário.

Entre os destaques estão a Estátua da Fé, esculpida em 1865 pelo alemão Johann von Halbig, e a Capela de Nossa Senhora da Piedade, referência da arquitetura neogótica. Elementos simbólicos presentes nas construções convidam à reflexão sobre o tempo, a vida e a permanência.

“É um lugar que desperta não só memória, mas reflexão. Cada elemento ali tem um significado, uma história a ser compreendida”, destaca Samara Bastos, coordenadora de Marketing do Campo Santo Familiar.

Esse movimento de valorização também influencia decisões práticas.

Segundo os responsáveis pelo serviço Campo Santo Familiar, cresce o número de famílias que buscam planejamento funerário antecipado não apenas pela organização, mas pelo vínculo com a história do local. “Muitas famílias desejam estar conectadas a esse legado. Existe um valor cultural e emocional que ultrapassa a questão prática”, explica Eduardo Fernandes.

O serviço oferece desde organização antecipada até benefícios em vida, como acesso facilitado a serviços de saúde e suporte em momentos delicados, ampliando o conceito de cuidado.

Ao completar dois séculos, o Campo Santo reafirma seu papel como um dos espaços mais simbólicos de Salvador. Não apenas pela relevância histórica, mas pela capacidade de continuar fazendo sentido para novas gerações.

Em um cenário onde o mundo redescobre a importância da memória, lugares como esse deixam de ser apenas pontos de despedida e passam a ser territórios de história, identidade e conexão.

Texto: Redação Coisas da Dina
Imagem: Divulgação


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