​Fevereiro Roxo chama atenção para doenças crônicas e reforça importância do diagnóstico precoce

  • 30/01/2026

​Fevereiro Roxo chama atenção para doenças crônicas e reforça importância do diagnóstico precoce

Durante o mês de fevereiro, a campanha Fevereiro Roxo volta a mobilizar a sociedade para três condições de saúde que ainda enfrentam desinformação e estigma: Alzheimer, lúpus e fibromialgia. Todas são doenças crônicas, sem cura definitiva, e que exigem acompanhamento contínuo para preservar a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes. Estimativas internacionais indicam que mais de 55 milhões de pessoas vivem com Alzheimer no mundo, enquanto a fibromialgia atinge entre 2% e 4% da população global. No Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas convivem com demência do tipo Alzheimer, e o lúpus afeta principalmente mulheres em idade produtiva.

Na Bahia, o envelhecimento da população e o maior reconhecimento clínico dessas condições têm ampliado a procura por atendimento especializado em neurologia e reumatologia, sobretudo em Salvador e na Região Metropolitana, segundo dados da rede estadual de saúde.

Alzheimer ganha novas estratégias de cuidado

Considerada a principal causa de demência, a doença de Alzheimer provoca perda progressiva da memória, alterações comportamentais e comprometimento da independência funcional. Para o neurologista Ricardo Alvim, coordenador de serviços especializados em Salvador, a evolução da ciência tem permitido identificar o problema em fases mais precoces. Segundo ele, quanto antes ocorre o diagnóstico, maiores são as chances de retardar a progressão dos sintomas e planejar intervenções que preservem a cognição por mais tempo.

O neurologista Jamary Oliveira Filho acrescenta que o tratamento precisa ir além dos medicamentos. Ele ressalta que estimulação cognitiva, controle de fatores de risco cardiovasculares, suporte familiar e acompanhamento multiprofissional fazem parte de uma estratégia essencial para o enfrentamento da doença.

Fibromialgia traz dor persistente e impacto invisível

A fibromialgia se manifesta por dor difusa no corpo, cansaço intenso, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e alterações emocionais. Mesmo sem alterações detectáveis em exames laboratoriais ou de imagem, a síndrome provoca grande limitação na rotina diária.

De acordo com a reumatologista Kércia Carneiro, o diagnóstico é baseado principalmente na avaliação clínica e na exclusão de outras doenças. Ela explica que reconhecer a fibromialgia precocemente evita tratamentos inadequados e reduz o sofrimento prolongado. O manejo inclui atividade física supervisionada, fisioterapia, medicamentos para controle da dor e do sono, além de acompanhamento psicológico. Segundo a especialista, embora não exista cura, é possível controlar os sintomas e devolver funcionalidade ao paciente.

Lúpus exige vigilância constante

O lúpus, por sua vez, é uma doença autoimune sistêmica em que o organismo passa a atacar seus próprios tecidos. Pode atingir pele, articulações, rins, pulmões, coração e sistema nervoso, alternando períodos de crise e remissão.

Entre os sinais mais frequentes estão fadiga intensa, dores articulares, manchas cutâneas, sensibilidade ao sol e alterações renais. Kércia Carneiro destaca que o acompanhamento regular é indispensável para evitar complicações graves. O tratamento costuma envolver imunossupressores, corticosteroides e outras medicações específicas, além de cuidados diários como proteção solar e exames periódicos para monitorar órgãos vitais.

Controle contínuo é o caminho

Apesar de não haver cura para Alzheimer, fibromialgia e lúpus, a medicina tem avançado no controle das manifestações e na redução de impactos à vida dos pacientes. Para especialistas, a personalização do tratamento e a relação próxima entre equipe de saúde, paciente e familiares são fundamentais para garantir conforto e dignidade ao longo da jornada.

Com o lema “Se não há cura, que haja conforto”, o Fevereiro Roxo reforça a necessidade de informação de qualidade, empatia e acesso a serviços especializados. Ampliar o debate público sobre essas doenças ajuda a combater preconceitos, incentiva o diagnóstico precoce e fortalece redes de apoio para quem convive diariamente com condições muitas vezes invisíveis, mas profundamente transformadoras.


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Anunciantes