Por que o boneco de Judas é queimado no Sábado de Aleluia? Entenda a tradição que atravessa gerações
- 04/04/2026
O Sábado de Aleluia, celebrado logo após a Sexta-feira Santa, carrega uma das tradições mais populares e simbólicas da cultura brasileira: a queima do boneco de Judas. Presente em diversas regiões do país, o costume mistura religião, cultura popular e crítica social.
A prática tem origem na tradição cristã, que relembra a traição de Judas Iscariotes, o discípulo que, segundo os relatos bíblicos, entregou Jesus Cristo às autoridades em troca de moedas. A queima do boneco surge como uma forma simbólica de punição a esse ato, representando o julgamento popular daquele que traiu.
Com o passar do tempo, a tradição ganhou novos significados. No Brasil, especialmente, o boneco de Judas deixou de representar apenas a figura bíblica e passou a incorporar personagens do cotidiano. Em muitas cidades, é comum ver bonecos com o rosto de figuras públicas, políticos ou até pessoas conhecidas da comunidade.
Antes da queima, outro elemento costuma chamar atenção: o chamado “testamento de Judas”. Trata-se de um texto, geralmente bem-humorado, que é lido em voz alta e traz críticas, ironias e comentários sobre acontecimentos recentes. É uma forma de transformar o ritual em um momento de expressão coletiva.
Apesar do tom muitas vezes descontraído, a tradição também carrega um aspecto simbólico mais profundo. Para muitos, a queima do Judas representa um gesto de renovação, uma forma de “deixar para trás” traições, erros ou situações negativas, abrindo espaço para um novo ciclo.
Hoje, o costume convive com diferentes interpretações. Em alguns lugares, a prática tem perdido força; em outros, segue viva como parte importante da cultura local, especialmente em comunidades onde a celebração ainda reúne famílias e vizinhos.
Mais do que um ato isolado, a queima do boneco de Judas revela como tradições religiosas podem se transformar ao longo do tempo, incorporando elementos sociais e culturais, sem perder completamente o seu significado original.
Texto: Redação Coisas da Dina
Imagem: ilustrativa gerada por IA



