​Câncer de esôfago avança no Brasil e atinge mais homens; álcool e tabagismo estão entre os principais fatores de risco

  • 03/04/2026

​Câncer de esôfago avança no Brasil e atinge mais homens; álcool e tabagismo estão entre os principais fatores de risco

O câncer de esôfago segue em crescimento no Brasil e mantém um padrão preocupante: os homens concentram quase quatro vezes mais mortes do que as mulheres. A doença, que ainda costuma ser diagnosticada tardiamente, está diretamente associada a fatores evitáveis, como o consumo de álcool e o tabagismo.

Dados mais recentes apontam que o país registra mais de 8 mil mortes por ano por esse tipo de câncer. Em 2024, foram 8.677 óbitos, sendo 6.830 entre homens e 1.847 entre mulheres, segundo levantamento baseado no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.

O cenário reflete, principalmente, a maior exposição do público masculino a comportamentos de risco ao longo da vida. O uso de bebidas alcoólicas, cigarro tradicional, dispositivos eletrônicos e outros derivados do tabaco segue como um dos principais fatores associados ao desenvolvimento da doença.

Além disso, o número de mortes apresenta tendência de crescimento. Após uma relativa estabilidade antes da pandemia, os registros voltaram a subir nos últimos anos, indicando que o câncer de esôfago continua sendo um problema relevante tanto em incidência quanto em mortalidade.

A distribuição dos casos também revela desigualdades regionais. O Sudeste concentra o maior número de mortes, seguido pelo Nordeste, que vem apresentando aumento consistente. Regiões com menor estrutura de saúde enfrentam ainda dificuldades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento, o que pode impactar diretamente os números e atrasar o início do cuidado.

Um dos principais desafios é o diagnóstico tardio. Como não há um rastreamento estruturado para esse tipo de câncer, muitos pacientes só descobrem a doença em estágio avançado. Os primeiros sinais costumam ser silenciosos ou confundidos com problemas comuns do sistema digestivo.

Entre os sintomas que exigem atenção estão dificuldade para engolir, perda de peso sem explicação, dor ou queimação no peito, rouquidão persistente e indigestão frequente.

O desenvolvimento do câncer de esôfago está ligado a processos de irritação contínua do órgão. Além do álcool e do tabaco, fatores como obesidade, consumo frequente de bebidas muito quentes, alimentação rica em ultraprocessados e baixo consumo de frutas e vegetais também contribuem para o risco.

Condições como refluxo gastroesofágico e esôfago de Barrett também estão associadas à doença, assim como histórico de radioterapia na região torácica.

O diagnóstico é feito, na maioria dos casos, por meio de endoscopia com biópsia, complementado por exames de imagem que avaliam a extensão do tumor. A partir daí, o tratamento é definido de forma individualizada, podendo envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia, de acordo com o estágio da doença.

O avanço da medicina trouxe novas abordagens e técnicas menos invasivas, mas o impacto real ainda depende do tempo de diagnóstico. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de sucesso no tratamento.

Texto: Redação Coisas da Dina


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