Produtores do Rio Grande do Sul projetam safra de uvas promissora para 2026
- 29/01/2026
Viticultores da Serra Gaúcha iniciaram a colheita da safra 2026 com expectativas positivas. Mesmo ainda em andamento, a vindima já apresenta indicadores considerados animadores, como regularidade no desenvolvimento dos vinhedos, boa sanidade das plantas e clima favorável ao longo do ciclo produtivo.
Na vinícola boutique Lidio Carraro, a colheita segue até o mês de março e tem sido acompanhada de perto pela equipe técnica. De acordo com Juliano Carraro, diretor comercial da casa, o início do ano trouxe condições ideais para a videira. “As brotações foram homogêneas, a produtividade é boa e tivemos um comportamento climático favorável até agora, o que indica uma safra com excelentes resultados”, afirmou.
Enquanto algumas regiões do Sul enfrentaram episódios de granizo, as áreas cultivadas pela vinícola não foram afetadas. Segundo Juliano, a preservação dos vinhedos faz diferença quando o objetivo é alcançar qualidade superior nos vinhos produzidos.
No campo técnico, o enólogo Giovanni Carraro avalia que a maturação ocorreu dentro de um ritmo equilibrado, sem extremos climáticos. “A videira se desenvolveu nos tempos certos, com velocidade média de maturação e sem longos períodos de frio intenso, o que é muito positivo”, explicou.
Esse cenário tende a refletir diretamente no perfil dos vinhos. A expectativa é de uvas com bagas menores e menor vigor vegetativo, características que costumam resultar em bebidas mais concentradas. “Devemos ter vinhos com alta intensidade aromática e polifenólica”, acrescentou o enólogo.
Para as variedades colhidas mais tardiamente, previstas para março, a cautela permanece. Ainda assim, a tendência é de uma safra acima da média, tanto em qualidade quanto em produtividade.
Outro ponto que chama atenção é a possibilidade de alguns rótulos receberem o selo especial Grande Vindima, reservado apenas a anos considerados excepcionais pela vinícola. A decisão, no entanto, só será tomada após o encerramento da colheita. “São muitos fatores envolvidos. A expectativa é positiva, mas apenas nos próximos meses poderemos confirmar”, pontuou Giovanni.
Além dos aspectos técnicos, 2026 tem valor simbólico para a marca. O ano coincide com a realização de mais uma Copa do Mundo, evento que remete à trajetória internacional da vinícola, que em 2014 foi responsável pelos vinhos oficiais do torneio realizado no Brasil — um marco que ajudou a projetar seus rótulos para fora do país.




