Tuberculose cresce no Brasil e acende alerta para diagnóstico precoce
- 22/03/2026
A tuberculose está longe de ser uma doença do passado. Mesmo com avanços na medicina e campanhas de conscientização, o Brasil registrou mais de 85 mil casos da doença no último ano, além de cerca de 6 mil mortes. Os dados são da Organização Mundial da Saúde e mostram um cenário preocupante: a doença continua ativa e avançando.
Mais do que números, o que chama atenção é a tendência. O país segue na contramão das metas globais que preveem a redução significativa da tuberculose até 2035. Em vez de queda, o que se observa desde 2015 é um aumento progressivo dos casos.
E isso exige atenção. Um dos principais sinais da doença ainda é ignorado por muita gente: a tosse persistente. Quando ela dura mais de 15 dias, acende um alerta importante. Pode ser mais do que um sintoma comum.
A infectologista Juliana Caetano Barreto Cypreste Oliveira reforça a necessidade de atenção a esses sinais. Segundo ela, a tosse prolongada, com ou sem catarro, associada à perda de peso, pode indicar uma lesão pulmonar em evolução.
Além disso, a tuberculose costuma vir acompanhada de outros sintomas que muitas vezes passam despercebidos no início, como febre baixa no fim do dia, suor noturno, cansaço, falta de apetite e dor no peito. Em quadros mais avançados, pode haver presença de sangue no escarro.
Outro ponto importante é a forma silenciosa da doença. A chamada tuberculose latente acontece quando a pessoa está infectada pela bactéria, mas ainda não apresenta sintomas. Nesses casos, o sistema imunológico consegue conter a infecção, mas há risco de evolução para a forma ativa, especialmente em pessoas com imunidade mais baixa.
A prevenção começa cedo, com a vacina BCG, aplicada ainda na infância, que protege contra as formas mais graves. Mas, na vida adulta, os cuidados são outros.
Ambientes ventilados, uso de máscara em casos suspeitos e atenção ao contato com pessoas infectadas fazem diferença. O diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para evitar a progressão da doença.
O tratamento é oferecido pelo sistema público de saúde e dura, em média, seis meses. Com o uso correto da medicação, o paciente deixa de transmitir a doença rapidamente. O problema é que muitos abandonam o tratamento ao se sentirem melhor — e é aí que mora o risco.
A interrupção precoce pode levar ao desenvolvimento da tuberculose multirresistente, uma forma mais difícil de tratar, que exige mais tempo, mais medicamentos e traz mais efeitos colaterais.
Por isso, a conscientização ainda é fundamental.
O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado em 24 de março, reforça exatamente esse ponto: a doença existe, é transmissível, mas tem tratamento e cura — desde que seja levada a sério. Ignorar os sinais não é uma opção.
Texto: Redação Coisas da Dina
Imagem: Gerada por inteligência artificial





