Jovens de Salvador participam de formação teatral gratuita com oficinas intensivas e circulação de espetáculos
- 28/01/2026
Um grupo de jovens artistas de Salvador está participando de uma formação teatral completa e gratuita por meio da residência artística do projeto “Ordem Questionada”, idealizado pelo Coletivo Subverso das Artes. A iniciativa segue em atividade e promove neste fim de semana mais uma rodada de oficinas no Arquivo Público de Salvador, no bairro do Comércio, reunindo aulas de atuação, direção teatral e cenografia.
Voltado à formação de artistas negros, o projeto parte do entendimento de que talento, por si só, não garante permanência no mercado cultural. O foco está no acesso à qualificação técnica, na criação coletiva e no fortalecimento de redes, abrindo caminhos para que vocações artísticas se transformem em trajetórias profissionais sustentáveis.
Desde novembro de 2025, os participantes vêm passando por oficinas quinzenais que contemplam escrita teatral, atuação, direção, direção musical e outros campos da cena. A partir de fevereiro, o programa entra em um novo ciclo que se estende até abril e amplia o olhar para áreas estratégicas dos bastidores, como comunicação, formação de público, gestão cultural e cenografia, preparando os jovens para compreender também os aspectos de circulação e viabilidade dos projetos artísticos.
Para o coordenador do Coletivo Subverso das Artes, Zaya Olugbala, a residência vai além do aperfeiçoamento técnico. Segundo ele, o processo tem criado um espaço fértil para trocas, experimentações e construção coletiva. “Ao longo das oficinas, conseguimos conhecer diferentes formas de criar, acompanhar a produção dos colegas e compartilhar as próprias ideias. É uma experiência que multiplica saberes e aponta caminhos para tornar os fazeres artísticos viáveis”, afirma.
Moradora do Engenho Velho da Federação, a atriz Betânia Novaes, de 37 anos, conta que se sentiu atraída pela proposta de unir investigação artística e crítica social a uma formação aprofundada com apoio financeiro. “É um tipo de incentivo que valida nosso tempo de pesquisa e permite dedicação integral ao amadurecimento técnico e criativo. Eu buscava justamente um ambiente de criação coletiva que valorizasse esse olhar transformador”, relata.
Ela também destaca o valor da rede construída ao longo do processo. “O laboratório permite errar, testar e descobrir novas possibilidades para a cena. Sinto que sairei daqui com ferramentas mais sólidas para gerir projetos autorais e ocupar espaços na cultura com mais consciência”, avalia.
Nas aulas de direção musical, o facilitador Maurício Lourenço conduz atividades que envolvem regência, criação rítmica, improvisação e liderança coletiva. Para ele, a proposta vai além da técnica. “Espaços como esse transformam a arte em ferramenta de inclusão, pertencimento e construção de novas perspectivas. É possível perceber uma evolução clara na autonomia, na escuta e na confiança dos participantes”, observa.
A professora de atuação Diana Ramos reforça que a formação busca estimular continuidade. “Tenho incentivado que os jovens se reconheçam como autores de suas próprias criações, que tirem projetos da gaveta e experimentem, errando e refazendo. Esse é um passo essencial no amadurecimento artístico”, explica.
A próxima fase do projeto, batizada de “Circula e Questiona”, será dedicada à criação e apresentação dos espetáculos desenvolvidos durante as oficinas. As peças serão levadas para comunidades como Engenho Velho da Federação, Engenho Velho de Brotas, Nova Brasília, Candeal e Santo Inácio, garantindo que o processo formativo também resulte em apresentações abertas nos territórios envolvidos.
Com duração total de oito meses, o “Ordem Questionada” combina residência artística, produção e circulação, fortalecendo redes entre artistas, educadores e moradores dos bairros participantes. A iniciativa foi contemplada pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia, com apoio financeiro do Governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura, em articulação com o Ministério da Cultura.
Agenda das oficinas da residência
31 de janeiro (sábado)
Oficina de atuação
Professora: Diana Ramos
Horário: das 9h às 12h
Local: Arquivo Público de Salvador – Sala Makota Valdina, Auditório 01
Oficina de direção teatral
Professor: Fábio Vidal
Participações: Maurício Lourenço (direção musical) e Diana Ramos (atuação)
Horário: das 13h às 16h
Local: Arquivo Público de Salvador – Sala Makota Valdina, Auditório 01
1º de fevereiro (domingo)
Oficina de cenografia
Professora: Clara Matos
Horário: das 9h às 11h
Local: Arquivo Público de Salvador – Sala Makota Valdina, Auditório 01




