​Câncer colorretal cresce entre jovens e acende alerta no março azul

  • 24/02/2026

​Câncer colorretal cresce entre jovens e acende alerta no março azul

Historicamente associado a pessoas acima dos 50 anos, o câncer colorretal tem apresentado um avanço preocupante entre adultos jovens no Brasil. A mudança no perfil da doença mobiliza a comunidade médica durante o Março Azul, mês dedicado à conscientização e à prevenção desse tipo de câncer, que já figura entre os mais incidentes no país.

Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que o câncer colorretal é o terceiro mais frequente no Brasil, com estimativa de cerca de 45 mil novos casos por ano. Estudos recentes mostram crescimento progressivo da incidência em pessoas com menos de 50 anos, faixa etária que até pouco tempo não integrava os protocolos de rastreamento de rotina.

Para o coloproctologista Ramon Mendes (foto),coordenador do Núcleo de Coloproctologia do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica, o cenário exige atenção redobrada. Segundo ele, cada vez mais jovens estão sendo diagnosticados em estágios avançados, porque os sintomas iniciais costumam ser confundidos com condições benignas, como hemorroidas ou alterações intestinais funcionais.

Sinais como sangramento nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal recorrente e perda de peso sem causa aparente não devem ser ignorados em nenhuma idade. A ideia de que jovens não desenvolvem câncer colorretal já não corresponde à realidade observada nos consultórios e centros especializados.

No campo do tratamento, a cirurgia robótica tem ganhado espaço como uma aliada importante, especialmente entre pacientes jovens, que tendem a buscar abordagens menos invasivas e com melhor recuperação funcional. A tecnologia oferece visão tridimensional ampliada, maior precisão nos movimentos e melhor preservação de estruturas anatômicas sensíveis.

Pioneiro da cirurgia robótica na Bahia, Ramon Mendes destaca que a técnica é particularmente vantajosa em tumores localizados em regiões complexas, como o reto, permitindo a remoção do câncer com segurança oncológica e menor risco de sequelas urinárias, sexuais e intestinais.

Apesar dos avanços tecnológicos, o especialista reforça que o diagnóstico precoce continua sendo o principal fator de sucesso no tratamento. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de cura, independentemente da técnica utilizada.

No contexto do Março Azul, a recomendação é clara: pessoas com histórico familiar, sintomas persistentes ou fatores de risco devem procurar avaliação médica, mesmo antes dos 50 anos. Informação e atenção aos sinais do corpo seguem sendo fundamentais para salvar vidas.


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