Obesidade avança nos registros do SUS e já atinge mais de 11 milhões de adultos acompanhados
- 06/11/2026
Dados mostram aumento de 259% em dez anos. Na Bahia, mais de 735 mil adultos monitorados apresentam obesidade, condição associada a diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.
O número de adultos com obesidade acompanhados pela atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS) passou de 3,09 milhões, em 2016, para 11,12 milhões em 2026. O crescimento de 259% nos registros do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, chama a atenção para um problema que exige prevenção, diagnóstico e tratamento.
Entre os adultos monitorados pelo sistema, 36,4% apresentam obesidade. Outros 10,76 milhões estão com sobrepeso. Somadas, as duas condições atingem 21,88 milhões de pessoas, o equivalente a 71,5% dos adultos acompanhados.
Na Bahia, são aproximadamente 735,3 mil adultos com obesidade registrados no Sisvan, correspondentes a 31,9% dos monitorados no estado.
Os números precisam ser interpretados corretamente. O Sisvan reúne informações de pessoas acompanhadas pelos serviços públicos de saúde, e sua cobertura mudou ao longo dos anos. Portanto, o aumento de 259% não significa que a obesidade tenha crescido nessa mesma proporção entre todos os brasileiros. Ainda assim, a elevação da participação de pessoas com obesidade nos registros, de 25,1% para 36,4%, é um sinal de alerta.
A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença crônica, influenciada por fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, sociais e ambientais. Não se trata apenas de aparência ou de uma questão estética.
O excesso de gordura corporal pode aumentar o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), problemas no fígado, dificuldades respiratórias e determinados tipos de câncer. Também pode comprometer a mobilidade, o sono e a qualidade de vida.
Por isso, a obesidade não deve ser romantizada nem tratada como uma condição sem consequências para a saúde. Ao mesmo tempo, quem convive com a doença precisa de atendimento adequado, e não de julgamentos ou constrangimentos. O preconceito pode afastar pacientes dos serviços de saúde e dificultar o tratamento.
A prevenção começa com hábitos que podem ser incorporados à rotina: alimentação equilibrada, redução do consumo de produtos ultraprocessados, prática regular de atividade física e acompanhamento dos indicadores de saúde. Mas essas medidas, isoladamente, nem sempre são suficientes.
O tratamento deve considerar a história clínica de cada paciente. Dependendo do caso, pode envolver acompanhamento nutricional, atividade física orientada, apoio psicológico, medicamentos prescritos e cirurgia bariátrica, quando indicada.
Especialistas também apontam dificuldades no atendimento pelo SUS, incluindo a oferta limitada de medicamentos, a necessidade de capacitação das equipes e o acompanhamento de pacientes que precisam de cuidados contínuos.
Os dados mostram que o enfrentamento da obesidade não pode ficar restrito à responsabilidade individual. É necessário ampliar o acesso à informação, à alimentação saudável, aos espaços para atividade física e aos tratamentos disponíveis.
Reconhecer a gravidade da doença não significa desrespeitar as pessoas. Significa levar a saúde a sério, sem preconceito e sem ignorar os riscos.
Texto: Redação Coisas da Dina
Fonte: Organização Mundial da Saúde
Foto: ilustrativa


