Hospital São Rafael terá laboratório para pesquisar terapias genéticas contra anemia falciforme em Salvador
- 05/11/2026
Nova estrutura será inaugurada em novembro e também desenvolverá estudos sobre tratamentos celulares para outras doenças.
O Hospital São Rafael, em Salvador, vai inaugurar neste mês de novembro um laboratório dedicado à pesquisa de terapias celulares e genéticas. A primeira linha de investigação será voltada à anemia falciforme, doença hereditária que afeta os glóbulos vermelhos e tem elevada prevalência na população baiana.
A unidade, denominada Plataforma de Pesquisa e Desenvolvimento de Terapias Avançadas, conta com apoio do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O laboratório terá uma área de 111 metros quadrados com controle de temperatura, pressão e filtragem do ar, além de três salas destinadas ao cultivo celular. A estrutura permitirá a manipulação de células utilizadas em pesquisas que exigem condições rigorosas de segurança.
Uma das tecnologias estudadas será a CRISPR, ferramenta de edição genética que permite modificar trechos específicos do DNA. Na pesquisa sobre anemia falciforme, o objetivo é investigar uma forma de estimular a produção de hemoglobina fetal, que pode contribuir para reduzir as manifestações da doença.
A proposta envolve a coleta de células-tronco do próprio paciente, sua modificação em laboratório e posterior reinfusão, dentro de estudos clínicos autorizados.
O médico e pesquisador Bruno Solano, coordenador da unidade, explica que a estrutura permitirá desenvolver, na Bahia, tecnologias atualmente concentradas em centros de pesquisa do exterior e de outras regiões brasileiras.
Além da anemia falciforme, estão previstos estudos com células CAR-T, utilizadas em determinadas formas de imunoterapia contra cânceres do sangue, e pesquisas relacionadas à síndrome do desconforto respiratório agudo.
O hospital esclarece que o laboratório não oferecerá esses tratamentos diretamente à população. As terapias experimentais somente poderão ser utilizadas em estudos clínicos aprovados pelos comitês de ética e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A equipe contará com dez profissionais, entre médicos, biólogos e biomédicos. O projeto também prevê a participação de pesquisadores e estudantes de pós-graduação de instituições parceiras, incluindo a Fiocruz Bahia.
A nova plataforma amplia as atividades de pesquisa do Hospital São Rafael e poderá contribuir para a formação de especialistas e o desenvolvimento de tratamentos no país.
Texto: Redação Coisas da Dina
Fonte: Hospital São Rafael
Foto: Divulgação


