​Halloween: como uma tradição de mais de dois mil anos conquistados pelos brasileiros

  • 30/10/2026

​Halloween: como uma tradição de mais de dois mil anos conquistados pelos brasileiros

Comemorado em 31 de outubro, o Dia das Bruxas nasceu dos antigos trajes europeus, ganhou força nos Estados Unidos e se manteve pelo mundo. No Brasil, a festa divide espaço com o Dia do Saci e levanta uma discussão sobre cultura e consumo.

Neste sábado, 31 de outubro, crianças e adultos de diferentes países vão vestir fantasias, decorar ambientes com abóboras e participar de festas de Halloween. No Brasil, a comemoração, conhecida como Dia das Bruxas, tornou-se cada vez mais presente em escolas, condomínios, bares, restaurantes e estabelecimentos comerciais.

Mas a festa que muitos brasileiros conheceram por meio dos filmes norte-americanos não foi criada nos Estados Unidos. Sua história começou muito antes, entre povos que habitavam regiões da Europa há mais de dois mil anos.

A origem do Halloween está associada principalmente ao Samhain, festival realizado pelos antigos celtas, especialmente nas regiões que hoje abrangem a Irlanda e a Escócia. A comemoração marcou o encerramento do período de colheitas e a chegada da estação mais fria do ano no Hemisfério Norte.

Na tradição celta, acreditava-se que, nesse período, a separação entre o mundo dos vivos e o dos mortos se tornava menos definida. As fogueiras eram acesas e diferentes rituais faziam parte das celebrações. O uso de disfarces também estava associado às crenças sobre a presença de espíritos.

Ao contrário do que muita gente imagina, não existe uma pessoa que possa ser apontada como inventora do Halloween. A comemoração atual é resultado da transformação de costumes religiosos, populares e culturais ao longo de muitos séculos.

Da tradição celta ao Dia das Bruxas

Com a expansão do cristianismo pela Europa, práticas antigas locais passaram a conviver com celebrações religiosas. A Igreja distribuída o Dia de Todos os Santos em 1º de novembro, e a noite anterior ficou conhecida, em inglês, como All Hallows' Eve, expressão que, com o tempo, deu origem à palavra Halloween.

O dia 2 de novembro, por sua vez, passou a ser dedicado à lembrança dos mortos na tradição cristã, dando origem à comemoração de Finados.

Apesar da proximidade dos dados, Halloween, Dia de Todos os Santos e Finados não são a mesma celebração. Cada uma possui características e significados próprios, embora suas histórias tenham sido cruzadas ao longo do tempo.

Como o Halloween chegou aos Estados Unidos?

A festa ganhou força na América do Norte principalmente com a chegada de imigrantes irlandeses e escoceses durante o século XIX.

Esses grupos levaram fantasias como o uso de fantasias, as brincadeiras e as celebrações comunitárias. Aos poucos, o Halloween passou a incorporar novas práticas e se tornou uma comemoração popular nos Estados Unidos.

A tradição de crianças saírem fantasiadas pelas ruas pedindo doces tem antecedentes em costumes europeus, nos quais as pessoas visitavam casas em busca de alimentos ou pequenas ofertas.

Nos Estados Unidos, a prática conhecida como doces ou travessuras, traduzida como “doces ou travessuras”, ganhou grande popularidade durante o século XX, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial.

Foi também nesse período que o comércio passou a explorar de maneira mais intensa a venda de doces, fantasias e artigos de decoração.

E por que as abóboras viraram símbolo do Halloween?

As lanternas com rostos assustadores, conhecidas como jack-o'-lanterns, estão ligadas às tradições populares da Irlanda.

Antes de se tornarem um dos principais símbolos do Halloween norte-americano, essas lanternas eram confeccionadas com vegetais como nabos.

Nos Estados Unidos, a abóbora passou a ser utilizada com frequência por ser abundante e mais fácil de esculpir. Com o tempo, transformou-se em uma das imagens mais reconhecidas da comemoração.

Por que o brasileiro começou a comemorar o Halloween?

No Brasil, a popularização do Halloween está diretamente relacionada à influência da cultura norte-americana.

Filmes, séries de televisão, desenhos animados e, posteriormente, as redes sociais ajudaram a apresentar a comemoração ao público brasileiro.

As escolas de idiomas também tiveram participação importante nesse processo, utilizando dados para apresentar costumes de países de língua inglesa.

Com o passar dos anos, a celebração ultrapassou o ambiente escolar e chegou ao comércio, às festas particulares e aos espaços de entretenimento.

A adesão brasileira não significa necessariamente uma identificação com os antigos que deram origem à festa. Para grande parte do público, o Halloween é uma oportunidade de diversão, convivência e participação em atividades temáticas.

Ao mesmo tempo, a expansão dos dados revela a força de circulação internacional de produtos culturais. Uma película comemorativa que aparece repetidamente em séries e campanhas publicitárias acaba se tornando familiar, mesmo em países onde não fazia parte das tradições locais.

E o nosso folclore?

A presença crescente do Halloween no Brasil também gerou uma discussão sobre a valorização das manifestações culturais nacionais.

No mesmo dia 31 de outubro, grupos ligados à cultura popular promovem o Dia do Saci, dedicado a um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro.

A iniciativa surgiu como uma forma de estimular o interesse pelas lendas e tradições do país, incluindo personagens como a Cuca, o Curupira, o Boitatá e o próprio Saci-Pererê.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo destacam que o debate não precisa ser tratado como uma escolha obrigatória entre comemorar o Halloween e preservar o folclore brasileiro. O desafio é garantir que as novas gerações também conheçam as histórias e manifestações culturais do próprio país.

Uma festa que mudou de significado

Ao longo de mais de dois mil anos, o Halloween deixou de ser uma celebração ligada ao calendário agrícola e às referências de antigos povos europeus para se transformar em uma especificidade cultural internacional.

Hoje, a festa reúne elementos de diferentes épocas: rituais antigos, tradições religiosas, lendas populares, personagens do cinema e estratégias comerciais.

No Brasil, sua expansão mostra como costumes estrangeiros podem ser incorporados ao cotidiano. Também oferece uma oportunidade para discutir a importância de conhecer e preservar as manifestações culturais brasileiras e entender a história do Halloween é também compreender como as tradições se transformam, atravessam fronteiras e adquirem novos significados.

Texto: Redação Coisas da Dina

Fonte: Revista Smithsonian, National Geographic Brasil

Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA


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