Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira e sua obra continua conquistando novas gerações
- 26/10/2026
Cantor e compositor cearense marcou a música brasileira com letras sobre juventude, liberdade e transformações sociais. Em 2026, o álbum Alucinação também completa 50 anos.
Se estivesse vivo, Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira, 26 de outubro. Nascido em Sobral, no Ceará, em 1946, o cantor e compositor construiu uma das trajetórias mais singulares da música popular brasileira, deixando canções que continuam presentes na memória de diferentes gerações.
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes estudou Filosofia e chegou a cursar Medicina antes de escolher definitivamente a música. Sua formação intelectual, marcada pelo interesse pela literatura e pela linguagem, ajudou a construir uma obra em que as palavras ocupavam um lugar tão importante quanto as melodias.
Belchior ganhou projeção nacional na década de 1970, período em que artistas nordestinos passaram a conquistar maior espaço no cenário musical brasileiro. Ao lado de nomes como Fagner e Ednardo, integraram o movimento conhecido como Pessoal do Ceará.
Em 1976, lançou Alucinação, disco que se tornaria um marco de sua carreira e que também completa 50 anos em 2026. O álbum reúne composições como Apenas um Rapaz Latino-Americano, Velha Roupa Colorida, Sujeito de Sorte e Como Nossos Pais.
Esta última projeção ganhou ainda maior na interpretação de Elis Regina, que ajudou a apresentar a obra do compositor a um público mais amplo.
As letras de Belchior tratavam das inquietações de uma geração que buscava novos caminhos. Falavam de sonhos, desilusões, conflitos familiares, mudanças de comportamento e da dificuldade de encontrar um lugar no mundo.
A força dessas composições ajuda a explicar por que sua música continua despertando o interesse entre os ouvintes que sequer haviam sido introduzidos quando suas discos foram lançadas.
Nos últimos anos, a trajetória do artista também passou a inspirar livros, documentários e produções audiovisuais, incluindo trabalhos dedicados ao período em que se avançou da vida pública.
Homenagens na Bahia
A passagem dos 80 anos de nascimento de Belchior também foi lembrada na Bahia.
A Orquestra Sinfônica da Bahia apresentou o concerto Belchior Sinfônico, sob a regência do maestro Carlos Prazeres, com participações de João Cavalcanti e Marcelo Caldi.
As apresentações aconteceram no Teatro Castro Alves, em Salvador, no dia 23 de outubro, e no Teatro da Universidade Estadual de Feira de Santana, no dia 24.
O repertório reuniu canções conhecidas do compositor em arranjos sinfônicos, aproximando sua poesia de novas possibilidades musicais.
Belchior morreu em 30 de abril de 2017, aos 70 anos, no Rio Grande do Sul.
Nove anos depois, sua obra permanece atual pela maneira como aborda sentimentos e questionamentos que atravessam gerações.
Ao completar oito décadas de seu nascimento, o compositor continua sendo lembrado não apenas pelas músicas que deixaram, mas pela capacidade de transformar inquietações humanas em canções que resistem ao tempo.
Texto: Redação Coisas da Dina.
Fontes: Secretaria de Cultura da Bahia, Orquestra Sinfônica da Bahia e acervos biográficos.
Foto: Acervo do artista.


