Procedimentos modernos preservam autonomia, segurança e qualidade de vida
- 19/02/2026
O envelhecimento provoca mudanças naturais no sistema cardiovascular. Com o passar dos anos, é comum o enrijecimento das artérias, o aumento do risco de obstruções coronarianas e alterações no funcionamento das válvulas cardíacas. Em um país que envelhece rapidamente, essas condições tornaram as doenças cardiovasculares a principal causa de morte entre pessoas idosas no Brasil.
Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 70% das mortes por doenças cardiovasculares ocorrem em pessoas com 60 anos ou mais. O número acompanha o crescimento da expectativa de vida da população brasileira, que hoje ultrapassa os 75 anos. Diante desse cenário, a hemodinâmica tem assumido papel cada vez mais relevante no cuidado com o coração na terceira idade.
A especialidade reúne exames e procedimentos minimamente invasivos realizados por meio de cateteres introduzidos pelas artérias, permitindo diagnóstico preciso e tratamento de obstruções coronarianas, doenças valvares e alterações vasculares. O avanço tecnológico tornou esses procedimentos mais seguros, mesmo em pacientes mais velhos, reduzindo riscos e tempo de recuperação.
Para o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara (foto), a idade deixou de ser um fator isolado na tomada de decisão. Segundo ele, a avaliação clínica global do paciente passou a ser mais importante do que o número de anos de vida. Com planejamento adequado, exames detalhados e tecnologia moderna, é possível tratar idosos com alto grau de segurança.
O especialista explica que técnicas atuais diminuíram significativamente complicações como infecções, sangramentos e longas internações, fatores que costumam impactar mais fortemente pacientes da terceira idade. Em muitos casos, procedimentos realizados por cateter substituem cirurgias de grande porte, antes consideradas a única opção terapêutica.
Além do tratamento, a hemodinâmica se destaca pela precisão diagnóstica. Exames como o cateterismo cardíaco permitem identificar com clareza o grau de obstrução das artérias e orientar a conduta mais adequada para cada paciente. Um diagnóstico bem direcionado evita intervenções desnecessárias e aumenta a efetividade do tratamento.
A colocação de stents e os procedimentos valvares minimamente invasivos têm proporcionado alívio de sintomas como dor no peito, falta de ar e cansaço intenso, que costumam limitar o dia a dia do idoso. A recuperação mais rápida favorece o retorno às atividades cotidianas e reduz o impacto físico e emocional do tratamento.
Os benefícios vão além da sobrevida. Estudos internacionais indicam que idosos submetidos a intervenções minimamente invasivas apresentam melhora significativa da funcionalidade, redução de internações por eventos cardiovasculares e maior independência. O foco, segundo especialistas, é permitir que o paciente envelheça com mais autonomia e qualidade de vida.
Apesar dos avanços, o medo ainda é um dos principais obstáculos. Muitos idosos convivem com limitações importantes por receio de procedimentos cardíacos. Informação, avaliação individualizada e acompanhamento especializado são fundamentais para mudar essa realidade.
Com o envelhecimento da população, cresce a necessidade de um cuidado cardiovascular contínuo e personalizado. A hemodinâmica surge como uma aliada estratégica nesse processo, mostrando que envelhecer não significa aceitar restrições impostas pelo coração, mas sim buscar tratamento seguro, eficaz e compatível com uma vida ativa em qualquer idade.
Foto: divulgação



