Pesquisa da USP utiliza realidade virtual e inteligência artificial para investigar sinais precoces de declínio cognitivo
- 18/10/2026
Tecnologia brasileira combina ambientes virtuais, monitoramento cerebral e análise do movimento dos olhos para apoiar futuras avaliações médicas.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, estão desenvolvendo uma tecnologia que poderá contribuir para a identificação precoce de alterações cognitivas em pessoas idosas.
O projeto combina realidade virtual, inteligência artificial e equipamentos capazes de acompanhar a atividade cerebral e os movimentos dos olhos.
A pesquisa é desenvolvida no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC-USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
O objetivo é investigar sinais associados ao comprometimento cognitivo leve, condição caracterizada por alterações na memória e em outras funções cognitivas que podem, em alguns casos, anteceder quadros de demência.
Como funciona a tecnologia
Durante a avaliação, os participantes utilizam equipamentos de realidade virtual para realizar atividades que simulam situações do cotidiano.
Enquanto executam as tarefas, sensores registram informações sobre o funcionamento cerebral e o comportamento visual.
Um equipamento de eletroencefalografia acompanha a atividade elétrica do cérebro, enquanto um sistema de rastreamento ocular identifica padrões de movimentação dos olhos.
Essas informações são analisadas por modelos de inteligência artificial, que procuram reconhecer padrões associados a possíveis alterações cognitivas.
O pesquisador Roberto Douglas Guimarães de Aquino explica que a proposta é reunir diferentes informações em uma mesma avaliação, oferecendo dados que possam auxiliar a interpretação médica.
Tecnologia ainda está em desenvolvimento
O projeto também pretende desenvolver sistemas capazes de explicar os resultados apresentados pela inteligência artificial, permitindo que profissionais de saúde compreendam os fatores considerados na análise.
A pesquisa envolve grupos clínicos e voluntários utilizados para comparação dos resultados.
Apesar do potencial da tecnologia, os pesquisadores ainda precisam concluir as etapas de validação clínica.
Isso significa que a ferramenta não deve ser apresentada como um exame já disponível para diagnosticar Alzheimer ou outras demências.
A expectativa é que, no futuro, a plataforma possa contribuir para avaliações mais detalhadas e para o desenvolvimento de estratégias de acompanhamento e reabilitação.
A iniciativa mostra como a pesquisa brasileira vem aproximando medicina, computação e novas tecnologias em busca de soluções para os desafios do envelhecimento.
Texto: Redação Coisas da Dina
Foto: Divulgação/ICMC-USP — imagem enviada pela assessoria
Fonte: Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo


