​Vinícola testa novas uvas e amplia as possibilidades do vinho brasileiro

  • 15/10/2026

​Vinícola testa novas uvas e amplia as possibilidades do vinho brasileiro

Vinhedo experimental na Serra Gaúcha reúne cerca de 60 variedades originárias de países da Europa e da região do Cáucaso

Uvas ainda pouco conhecidas no Brasil, originárias de países como Romênia, Geórgia, Hungria, República Tcheca e Itália, estão sendo cultivadas e avaliadas em um vinhedo experimental mantido pela Cooperativa Vinícola Garibaldi, na Serra Gaúcha.

O trabalho começou em 2019, em uma área de aproximadamente um hectare localizada em Santa Tereza, no Rio Grande do Sul. Atualmente, o espaço reúne cerca de 60 variedades. A equipe observa a adaptação das plantas ao clima, o período de amadurecimento, a produtividade e a resistência às principais doenças da videira.

As uvas que apresentam bom desempenho seguem para a etapa de microvinificação, feita em pequenos lotes. Nesse processo, são avaliadas características como acidez, estrutura, aromas e possibilidade de aceitação comercial. Em 2026, 22 variedades chegaram a essa fase.

Entre as cultivares estudadas estão as chamadas PIWI, desenvolvidas para apresentar maior tolerância a fungos. Na prática, essas uvas podem exigir menos intervenções no vinhedo, reduzindo o uso de tratamentos fitossanitários e os custos de produção.

Parte da pesquisa já deu origem a vinhos comercializados pela cooperativa. Um deles é elaborado com a uva tcheca Pálava. Outro utiliza a variedade húngara Irsai Oliver. A próxima novidade prevista é um vinho feito com a uva romena Busuioaca de Bohotin, com lançamento anunciado para janeiro de 2027.

Parente próxima do Moscato, mas com película tinta, a Busuioaca produz um vinho rosé aromático. Segundo o enólogo Ricardo Morari, a bebida apresenta características que lembram o Moscato, acompanhadas por uma nota vegetal associada ao manjericão.

Também estão em observação as variedades italianas Soreli e Muscaris e a georgiana Alexandrouli. Esta última produz tintos mais leves, frescos e com menor teor alcoólico, perfil que acompanha uma tendência de consumo observada em diferentes mercados.

Os resultados do projeto foram apresentados durante uma masterclass realizada na ProWine São Paulo. Além da criação de novos rótulos, a pesquisa busca identificar variedades capazes de oferecer maior produtividade, sustentabilidade e alternativas de renda para os produtores brasileiros.

Redação Coisas da Dina

Foto: Divulgação

Fonte: Como Comunicação


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