Acabou o Carnaval. E agora? O Brasil acorda para um ano político, de Copa do Mundo e muitos testes pela frente
- 18/02/2026
A Quarta-feira de Cinzas chegou. As fantasias voltam para o armário, os confetes insistem em aparecer nos cantos da casa e a pergunta que sempre surge depois da maior festa do país reaparece: e agora, Brasil?
Se é verdade que o ano só começa depois do Carnaval, então ele começou oficialmente hoje. E começou cheio. 2026 não é um ano qualquer. É ano político, ano de Copa do Mundo e um período em que o Brasil, mais uma vez, tenta equilibrar esperança, cobrança e realidade.
No campo da política, o clima é de aquecimento gradual. As articulações para as eleições já estão em curso, mesmo que ainda discretas. Governos trabalham para entregar resultados, opositores afinam discursos e a população observa com uma mistura de cansaço e expectativa. Não há clima de ruptura, mas há uma cobrança clara por estabilidade, emprego, renda e serviços públicos que funcionem. O brasileiro quer menos promessa e mais entrega.
Na economia, o cenário pede atenção, mas não pânico. O país segue enfrentando desafios estruturais, como inflação resistente em alguns setores, juros ainda elevados e a necessidade de retomada mais consistente do crescimento. Por outro lado, há sinais de reorganização, investimentos sendo destravados, debates importantes sobre reforma tributária e um mercado que tenta se adaptar a um mundo mais caro, mais digital e mais exigente. Não é um ano de euforia econômica, mas tampouco de terra arrasada.
O mundo lá fora também pesa no radar. Conflitos armados seguem sem solução rápida, tensões geopolíticas continuam impactando preços, cadeias produtivas e decisões estratégicas. O Brasil, mais uma vez, caminha na diplomacia do equilíbrio, tentando manter diálogo, comércio e presença internacional sem se colocar no centro das disputas. É um jogo delicado, mas necessário.
E, no meio disso tudo, tem Copa do Mundo. Sim, tem Copa. E ela sempre muda o humor nacional. Mesmo em tempos difíceis, o futebol segue sendo um respiro coletivo, um assunto que une desconhecidos, provoca debates apaixonados e cria aquela sensação rara de pertencimento. Não resolve problemas estruturais, mas ajuda a lembrar que ainda somos capazes de vibrar juntos.
O Brasil que sai do Carnaval é o mesmo país complexo de sempre: criativo, cansado, resiliente, crítico e esperançoso ao mesmo tempo. Um país que dança, trabalha, reclama, sonha e segue em frente. A festa acabou, mas o ano está só começando. E, como sempre por aqui, ele promete ser intenso.
Agora é hora de guardar o glitter, ligar o modo realidade e acompanhar os próximos capítulos. Com atenção, senso crítico e, se possível, um pouco de leveza. Porque o Brasil exige jogo de cintura o ano inteiro.



