Sabores do Pará: a mesa do Círio conta a história da Amazônia

  • 11/10/2026

Sabores do Pará: a mesa do Círio conta a história da Amazônia

Açaí, cupuaçu, tucupi, jambu, pato e maniçoba transformam o almoço do Círio em uma celebração de identidade e memória.

No Pará, o Círio de Nazaré também é vivido ao redor da mesa. Depois da procissão, famílias se reúnem para um almoço tão esperado que a data é conhecida como o “Natal dos paraenses”.

Entre os pratos mais tradicionais estão o pato no tucupi, a maniçoba, o arroz paraense e o tacacá. São receitas marcadas principalmente pela herança indígena e pelo uso de ingredientes que nascem da floresta, dos rios e da mandioca.

O tucupi, caldo amarelo extraído da mandioca-brava e preparado de forma adequada, aparece no pato e no tacacá. O jambu acrescenta seu conhecido efeito de leve dormência na boca. Já a maniçoba exige vários dias de cozimento e reúne folhas de maniva com carnes e defumados.

O cupuaçu está presente em doces, cremes, geleias e sobremesas. Mas nenhum ingrediente conquistou tanta projeção internacional quanto o açaí. No Pará, ele é consumido tradicionalmente sem o excesso de açúcar encontrado em outras regiões, acompanhando peixe frito, camarão, farinha-d’água ou farinha de tapioca.

É difícil afirmar que seja “a fruta mais espalhada do mundo”, pois não existe um ranking internacional com essa classificação. Os números, entretanto, confirmam que o açaí se tornou uma das frutas amazônicas de maior alcance global.

Estudo divulgado pela Fapespa mostra que o Pará respondeu por 89,5% da produção nacional de açaí em 2024 e por 93,8% do valor movimentado pelo setor. A produção paraense alcançou R$ 8,8 bilhões. As exportações de derivados passaram de US$ 334 mil, em 2002, para US$ 127,8 milhões em 2024.

Somente entre janeiro e agosto de 2025, o Pará embarcou cerca de 13,6 mil toneladas, com crescimento de 88% sobre o mesmo período do ano anterior. Estados Unidos, Países Baixos, Japão e Austrália estão entre os mercados alcançados.

O mundo conheceu o açaí como alimento energético. Para o paraense, ele sempre foi muito mais: sustento, tradição, renda e comida de todos os dias. No almoço do Círio, cada prato ajuda a contar a história da Amazônia.

Redação Coisas da Dina

Foto: Embrapa/Divulgação

Fontes: Fapespa, Ministério da Integração e Universidade Federal do Pará


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