Quando a política entra em casa: polarização eleitoral desgasta relações

  • 11/10/2026

Quando a política entra em casa: polarização eleitoral desgasta relações

Entre o primeiro e o segundo turnos, discussões deixam as urnas e atingem famílias, amizades, casamentos e ambientes de trabalho.

O primeiro turno já havia deixado conversas tensas, grupos divididos e amizades estremecidas. Com a chegada do segundo turno, o clima ficou ainda mais difícil. Em muitos casos, a discussão deixou de ser sobre propostas e passou a ser um julgamento sobre o caráter de quem pensa diferente.

Famílias evitam determinados assuntos durante as refeições. Amigos deixam de se falar, colegas se enfrentam no trabalho e casais transformam divergências políticas em questionamentos sobre valores, confiança e futuro. Nas redes sociais, bloqueios, insultos e ameaças substituem o diálogo.

Esse fenômeno é conhecido como polarização afetiva. Ele acontece quando a pessoa não apenas discorda de um grupo político, mas passa a enxergá-lo com raiva, desprezo ou medo. Um estudo nacional divulgado pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo mostrou que essa polarização cresceu de 19%, em 2006, para 31% em 2026.

O dado merece atenção, mas também traz um alerta importante: 69% dos brasileiros não se enquadram nessa polarização mais radical. Outras pesquisas mostram que os dois lados costumam imaginar o adversário como muito mais intolerante e extremo do que ele realmente é. Essa caricatura alimenta o medo e dificulta qualquer conversa.

No segundo turno, com apenas duas candidaturas, a sensação de “nós contra eles” fica ainda mais forte. Notícias falsas, vídeos retirados de contexto e mensagens agressivas circulam rapidamente, atingindo pessoas que já estão emocionalmente envolvidas com a disputa.

É possível discordar sem humilhar. Antes de responder, vale verificar a informação, respirar, mudar de assunto quando a conversa sair do controle e estabelecer limites para grupos familiares e ambientes profissionais. Ameaças e violência nunca podem ser tratadas como parte normal de uma eleição.

A democracia precisa do confronto de ideias, mas não sobrevive quando o adversário é transformado em inimigo. A eleição passa. As marcas deixadas pelos excessos podem permanecer durante muitos anos.

Redação Coisas da Dina

Foto: Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Fontes: FESPSP, Ipsos-Ipec, More in Common Brasil e TSE


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